Pele matte ou glow? O que a ciência explica sobre a oleosidade da pele
- Bárbara Figueiredo

- há 5 dias
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Atualizado: há 4 dias
Por que as brasileiras amam pele matte e as coreanas buscam pele glow?
Fonte: Pinterest
Durante muito tempo, a ideia de pele bonita no Brasil esteve associada a uma característica muito específica: ausência total de brilho.
Produtos “oil control”, sabonetes ultra adstringentes, bases matte e uma infinidade de cosméticos prometendo eliminar qualquer sinal de oleosidade. Mas nos últimos anos, uma outra estética ganhou espaço no mundo da beleza: a chamada glass skin, popularizada pelo skincare coreano.
Para entender por que essas visões são tão diferentes, precisamos olhar primeiro para algo que raramente aparece nos vídeos de skincare das redes sociais: a biologia da pele.
Por que o Brasil criou uma obsessão por pele matte?
A preferência brasileira por pele matte tem várias origens culturais. Uma delas é climática. Em países tropicais, o calor e a umidade aumentam a produção de suor e sebo, o que faz muitas pessoas associarem brilho facial a sensação de pele “suja”.
Outro fator importante foi a própria indústria cosmética. Durante décadas, o marketing de produtos para pele oleosa foi construído em torno da ideia de que:
brilho = problema
oleosidade = defeito
pele ideal = completamente seca
Essa narrativa moldou gerações de consumidores.
No consultório, é comum eu ouvir pacientes dizendo coisas como:
“Minha pele não é bonita, fica brilhando o dia todo, mesmo eu lavando direito.”
Mas essa interpretação é equivocada. Porque a oleosidade não é apenas um detalhe estético. Ela faz parte de um sistema biológico fundamental da pele.
O sebo não é um vilão a ser eliminado

Grande parte do brilho natural da pele vem de uma substância chamada sebo, produzida pelas glândulas sebáceas. Essas glândulas estão presentes em praticamente todo o corpo, mas são especialmente concentradas na face, principalmente na chamada zona T (testa, nariz e queixo).
O sebo faz parte de uma estrutura chamada manto hidrolipídico, uma camada protetora formada por água, lipídios e componentes da microbiota da pele. Essa camada exerce várias funções importantes:
ajuda a reduzir a perda de água da pele
participa da proteção contra microrganismos
contribui para manter a flexibilidade da pele
ajuda a preservar a integridade da barreira cutânea
Em outras palavras: o sebo não está ali por acaso. Ele faz parte de um sistema sofisticado que mantém a pele funcionando corretamente.
Diversos estudos em dermatologia mostram que os lipídios presentes no sebo, como triglicerídeos e esqualeno, participam ativamente da proteção da pele e da manutenção da sua função de barreira (Zouboulis, 2004). Ou seja: o sebo não é um vilão. Ele é um componente fisiológico da pele.
Então por que a oleosidade ganhou uma reputação tão negativa?
Parte da má fama da oleosidade vem da associação com acne. Na acne vulgar, realmente existe um aumento da produção sebácea. Mas esse não é o único fator envolvido. A fisiopatologia da acne envolve quatro mecanismos principais:
aumento da produção de sebo
alteração na renovação celular dentro do folículo
obstrução dos poros
proliferação bacteriana e inflamação
O sebo participa do processo, mas não é o único responsável pela acne. Mesmo assim, culturalmente acabamos simplificando a questão para algo como: “oleosidade é ruim, então quanto menos melhor.” Mas a biologia da pele não funciona exatamente assim.
O problema de tentar deixar a pele sempre seca
Quando o objetivo do skincare vira eliminar qualquer sinal de brilho, muitas pessoas acabam adotando rotinas bastante agressivas para a pele. Entre os erros mais comuns estão lavar o rosto muitas vezes ao dia com sabonetes muito adstringentes, aplicar vários ácidos esfoliantes simultaneamente e escolher apenas produtos extremamente matificantes.
Essas estratégias podem até dar a sensação imediata de pele mais seca. Mas a longo prazo, o excesso de remoção de lipídios pode comprometer a barreira cutânea. E ela é considerada uma das estruturas mais importantes para a saúde da pele, pois regula a perda de água, a entrada de substâncias externas e a resposta inflamatória da pele.
Quando essa barreira é prejudicada, a pele pode se tornar mais sensível, reativa e propensa a irritações. Estudos de fisiologia cutânea mostram que a integridade da barreira é um dos fatores centrais para manter a pele saudável (Elias, 2005). Por isso, o objetivo não costuma ser eliminar completamente o sebo, mas sim equilibrar a fisiologia da pele.
O que o skincare coreano tem a nos ensinar?

Fonte: Pinterest
Quando a tendência da glass skin ficou famosa, muitas pessoas interpretaram o conceito de forma superficial. Parecia apenas uma moda estética. Mas, na prática, essa abordagem reflete uma filosofia de cuidado com a pele que prioriza:
hidratação adequada
preservação da barreira cutânea
rotina de skincare menos agressiva
consistência no cuidado da pele
Então não se trata de deixar o rosto “oleoso”. Trata-se de manter uma pele equilibrada, hidratada e funcional. Por isso, o viço natural da pele costuma ser interpretado, em muitas culturas asiáticas, como sinal de saúde cutânea.
O erro de copiar rotinas de skincare da internet

Fonte: Pinterest
Um erro muito comum é tentar reproduzir rotinas virais de skincare encontradas nas redes sociais. O problema é que cada pele tem necessidades diferentes. Duas pessoas podem ter: oleosidade na zona T, poros aparentes e tendência a acne, mas as causas podem ser completamente distintas.
Entre os fatores que influenciam o comportamento da pele estão:
genética
microbiota cutânea
rotina de cuidados
exposição solar
alimentação
alterações hormonais
Por isso, usar exatamente os mesmos produtos que funcionaram para outra pessoa nem sempre traz o mesmo resultado. Muitas vezes, no consultório, recebo pacientes que estão usando produtos de boa qualidade, mas em combinações inadequadas para o tipo de pele delas. E quando a estratégia não considera a fisiologia individual da pele, os resultados costumam ser limitados.
Skincare eficaz começa com personalização

Fonte: acervo pessoal
Cuidar da pele não significa simplesmente acumular produtos. Um skincare eficaz começa entendendo o que realmente está acontecendo na biologia da pele. É exatamente esse raciocínio que aplico quando analiso a pele das minhas pacientes no consultório e também na consultoria online Beleza Assinada.
Antes de sugerir qualquer rotina de cuidados, o primeiro passo é identificar o seu tipo de pele predominante entre os 16 fenótipos, o padrões de oleosidade, sinais de inflamação e funcionamento da barreira cutânea.
A partir dessa análise, é possível montar uma estratégia de skincare que faça sentido para aquela pele específica. Porque, no fim das contas, pele saudável raramente é completamente matte, mas também não é excessivamente oleosa. Ela está em equilíbrio.

Fonte: Pinterest
O objetivo do skincare não deve ser eliminar completamente o brilho. Mas aprender a equilibrar a fisiologia da pele para que ela se mantenha saudável, protegida e com aparência naturalmente luminosa.
Para ter orientação e acompanhamento estratégico para cuidar da sua pele da maneira correta, agende sua consulta ou entre para a consultoria Beleza Assinada!
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Referências científicas
Plewig G., Kligman A.Acne and Rosacea. Springer, 2000.
Proksch E., Brandner J., Jensen J.The skin: an indispensable barrier.Experimental Dermatology, 2008.
Del Rosso J., Levin J.The clinical relevance of maintaining the functional integrity of the stratum corneum in both healthy and disease-affected skin. Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology.
Zouboulis C. et al.Sebaceous gland function and skin homeostasis. Dermato-Endocrinology.









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